Toninho brilha numa ACRD Mosteirô que rejeita o rótulo de candidata à subida

António Carlos Estrelado Silva faz carreira no futebol como Toninho, médio de pontaria afinada, que deslumbra pelo que joga e faz jogar. Na adolescência, passou pelo FC Porto, e, já adulto, espalhou o seu perfume pelos campeonatos nacionais. Aos 35 anos, já não faz vida do futebol, que passou a partilhar com o emprego como talhante, mas a paixão pelo jogo fá-lo continuar. “Acho-me útil”, confessa o médio da ACRD Mosteirô, decisivo para o recente triunfo em Canedo, que reabriu a luta pela subida ao Campeonato SABSEG.

“O que me faz continuar é tentar ajudar quem acho que tem qualidade”, atira Toninho, ciente de que muita coisa mudou na sua vida com o passar dos anos. “Tenho dois filhos, uma mulher e não é viável chegar a casa tarde para, no dia seguinte, levantar-me cedo”, uma rotina que apenas suporta por aquilo que encontrou na ACRD Mosteirô, “uma família sem estrelas cintilantes”.

Essa união foi um dos segredos para o triunfo em Canedo, equipa que não perdia para o campeonato há mais de três meses, que segue no último lugar de subida ao principal escalão aveirense. “Entrámos decididos. Vi o Canedo um bocado intranquilo, a bater muitas bolas na frente e à procura das segundas bolas, mas fomos mais eficientes. Se calhar, o que fez a diferença foi a determinação”, explica o médio, que, apesar de ter encurtado distâncias para a zona de promoção, nem quer ouvir falar no termo ‘candidato’.

“Não somos uma equipa candidata à subida. Todos sabemos as dificuldades por que a ACRD Mosteirô tem passado. Estamos a tentar fazer um campeonato regular”, diz. Caso ela se venha a concretizar, será “um prémio para todos”, acrescenta.

Com nove golos apontados na presente temporada, Toninho é o artilheiro da equipa, algo que o satisfaz. No entanto, aquilo que o deixa realizado é “transmitir algo de diferente” aos mais novos, até porque o futebol de hoje é distinto daquele que conheceu.

“Hoje em dia, os meninos não estão habituados a viver na dificuldade”, e não se pode dizer que o médio não se esforce por dar o exemplo. Fora das quatro linhas, é talhante, emprego que o obriga a esforços redobrados em dias de jogo. “Ao domingo, entro às 5 horas e saio às 13 horas. Como alguma coisa e vou jogar”. Apesar da rotina exigente, Toninho não parece disposto a abrandar o ritmo com a bola no pé.

28 de Março de 2019
Rui Santos
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