Daniel Oliveira, um guarda-redes aventureiro feliz da vida no CCDR Covão do Lobo

Aventureiro, bom de pés e com uma apetência para o golo notável para um guarda-redes. Daniel Oliveira, o dono da baliza do CCDR Covão do Lobo, carimbou, com um golo a 40 segundos do final do jogo com o GCR Ossela, o apuramento dos “lobitos” para a segunda fase da 2.ª Divisão Nacional. Um momento importante numa “época peculiar”, assume, ainda para mais pelo clube do coração, onde passou quase toda a carreira. E quando decidiu sair não demorou muito a voltar.

Depois de, na jornada anterior, ter arrancado desde a sua baliza para abrir caminho ao triunfo do CCDR Covão do Lobo diante do Domus Nostra (4-1), Daniel Oliveira voltou a fazer o gosto ao pé no duelo aveirense com o GCR Ossela, desta feita bem perto do final, para carimbar um triunfo crucial (4-3) para a temporada do emblema de Vagos. É que, com aqueles três pontos, os “lobitos” garantiram o primeiro objetivo da época, o de continuar, em 2021/2022, nos campeonatos nacionais, a uma jornada do fim da primeira fase do segundo escalão do futsal português.

“Este ano, tudo está a ter um sabor diferente. Cada vitória deixa-nos mais orgulhosos pelo que fazemos”, admite Daniel. A pandemia elevou o desafio a níveis nunca vistos. “Já tivemos de acordar de madrugada, alterações de jogos à última da hora, jogos adiados e até um colega que, apesar de não ter testado positivo, viu toda a família ter Covid-19, algo que assusta a todos. Está a ser uma época peculiar”, confessa. O apuramento para a segunda fase da 2.ª Divisão Nacional ficou selado com um golo seu, “importante porque foi o último, mas antes disso um dos meus colegas também tinha bisado”, apressa-se a dizer.

Fundamental mesmo foi “ultrapassar a primeira fase, para podermos lutar pela manutenção”, acrescenta, objetivo que apenas os clubes classificados entre a 2.ª e a 5.ª posição de cada série e o melhor 6.º classificado de todas elas irão alcançar, na segunda fase. “Vai ser muito complicado, dada a situação pandémica e a própria reestruturação do campeonato, mas vamos dar o nosso melhor”, promete.



O golo apontado no último fim de semana foi o segundo de Daniel esta temporada e confirma a veia goleadora de um guarda-redes destemido e bom de pés, ou não tivesse sido médio no futebol até à adolescência. “Cheguei a jogar no Campeonato Nacional de juvenis pelo Marialvas. Tinha sido convocado para a seleção de Coimbra, mas depois apareceu o futsal. Os amigos falaram mais alto e fui”.

Quando chegou ao CCDR Covão do Lobo, os dois guarda-redes da equipa estavam lesionados. “Os amigos chatearam-me e cedi à pressão. Foi amor à primeira vista”, de tal forma que não mais largou a baliza. Mas Daniel nunca foi um guardião como os demais. “Eu sou um bocadinho aventureiro. Sempre fui, desde jovem. Gostava muito de sair da baliza”, e isso nem sempre dava bom resultado. “Não é propriamente fácil, dado os riscos que se tomam, mas a vida é feita disso. Quem arrisca lá consegue, mesmo que nem sempre corra como pretendemos”, refere.

Aos 27 anos, leva mais de uma década no clube da terra de onde é natural, o qual diz viver “de forma intensa” e de onde saiu apenas por uma vez, em 2015, mas por pouco tempo. “O S. João convidou-me nesse verão. Eu estudava em Coimbra, o pavilhão era muito perto da Universidade, o clube estava na 1.ª Divisão… Deixei-me levar. Só que não me enquadrei muito bem na estrutura, na equipa e no clube, e preferi voltar às minhas origens, onde gosto de estar”, recorda. De lá para cá, “já surgiram outras oportunidades, algumas muito boas”, mas a sua vida é feita em Vagos, onde trabalha, reside e joga futsal. “Não largo isto. Tenho toda a estabilidade de que necessito”, remata.

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13 de Janeiro de 2021
Rui Santos
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